Rodrigo Mora de saída do FC Porto: “AS Roma é um ato de desespero”

Em entrevista exclusiva concedida ao Desporto ao Minuto, Israel Dionísio, treinador com largo passado ligado à formação do FC Porto, analisou a mais do que provável saída de Rodrigo Mora rumo a Itália.
Rodrigo Mora de saída do FC Porto: “AS Roma é um ato de desespero”
Asaída de Rodrigo Mora do FC Porto é, a cada hora que passa, um cenário cada vez mais adquirido. O criativo estará a caminho da AS Roma, num negócio que pode vir a superar os 50 milhões de euros, e deverá rumar a Itália num negócio por empréstimo.
FC Porto e AS Roma têm negociado nas últimas horas as bases do entendimento, pelo que o dossiê pode vir a ser desbloqueado nos próximos dias. Para já, o jovem jogador continua a trabalhar junto dos companheiros de equipa, com vista ao encontro da segunda jornada da I Liga, diante do Rio Ave.
Em entrevista exclusiva concedida ao Desporto ao Minuto, Israel Dionísio, treinador com largo passado ligado à formação do FC Porto, analisou a mais do que provável saída de Rodrigo Mora rumo a Itália. O técnico considera que, nesta altura da carreira, o jovem precisa de ter mais minutos de jogo.
“As características do Rodrigo Mora não se ajustam à ideia de jogo de Farioli. Em tempos disse que tinha de haver um ajuste de ambas as partes, que era o treinador se ajustar ao jogador e o jogador também se ajustar à ideia do treinador. Esse casamento nunca acabou por acontecer a 100 por cento, mas houve se calhar um ajuste, mas não foi o mais produtivo neste caso. Um jogador como o Mora, que aparece com uma idade ainda muito prematura, tem que jogar e tem que ser feliz. E se não não se enquadrar com a ideia do treinador, que é o caso, tem que procurar um novo rumo na sua carreira. Um jogador como o Mora tem que ter minutos e a verdade é que este ano ele não parte à frente do Gabri Veiga. Neste momento acho que seria melhor o Mora sair, porque toda a gente percebeu qual é a ideia do míster Farioli e que o Rodrigo Mora vai ter muitas dificuldades em entrar nesta ideia de jogo”, começou por dizer o treinador.
Israel Dionísio destacou ainda que Rodrigo Mora tomou a opção correta de emigrar, uma vez que uma eventual continuidade em Portugal num negócio por empréstimo poderia não o valorizar.
“Às vezes o jogador é mais valorizado quando sai do país do que propriamente dentro do país. Eu acho que o Mora tem que encontrar um contexto favorável que lhe dê minutos em que possa crescer. Não tendo esse espaço no FC Porto, e sendo uma referência não só na formação do clube, mas também a nível de seleção, Mora tem de jogar. Uma coisa é o jogador evoluir a treinar e outra coisa é o jogador evoluir a jogar”, vincou.
A AS Roma é o destino mais provável de Mora, que deverá prosseguir a carreira numa liga com um cariz mais defensivo. Israel Dionísio frisa que a opção de Mora de rumar a Itália é um ato mais de desespero do que consciente, uma vez que o jovem poderá não ser capaz de explorar toda a sua criatividade em solo transalpino.
“O Mora já está um bocadinho no desespero. Neste momento sente que não vai ter espaço e quer ir para um sítio que o valorize, independentemente da ideia de jogo que o clube possa ter. Sente-se, e deu para perceber neste último jogo, que não está feliz e o jogador precisa de estar feliz. O jogador, quando está bem mentalmente, é que consegue render fisicamente. Nota-se perfeitamente que mentalmente o jogador não está bem. Se me pergunta se o contexto é o mais favorável, não sei. Às vezes depende muito da parte mental do jogador e se ele se sentir acarinhado e sentir que vai ser muito útil neste caso à AS Roma, a adaptação será muito mais fácil”, sinalizou o treinador.
Em tempos, Rodrigo Mora chegou a ser associado ao Paris Saint-Germain, um contexto que Israel Dionísio considera que podia ser o mais favorável ao jogador português.
“O PSG seria o contexto ideal porque é uma equipa que já tem algumas rotinas implementadas de alguns anos. É claramente uma ideia de ataque, de posse, e ele ia ser suportado por jogadores que já têm um grande historial no futebol mundial. Os contextos dependem da relevância que vão dar ao jogador. Qualquer atleta gosta de se sentir acarinhado. E se ele sentir que vai para a AS Roma e que vai ser uma peça importante, claramente que vai crescer, vai ajudar, e vai adaptar-se muito mais facilmente do que num contexto que talvez ele possa já sentir que não vai fazer parte”, vincou o técnico, lembrando os pontos fortes de Rodrigo Mora.
“O Mora tem é que jogar entre linhas. Agora, se depois se aparece por fora, se aparece por dentro… Desde que a ideia seja a que se utiliza os jogadores a jogar entre linhas, porque é o ponto mais forte dele, assim como o último passe e também a finalização. Ele muitas vezes arranja argumentos muito fáceis, em espaços muito curtos, e consegue driblar dois adversários com uma facilidade muito grande e consegue finalizar. Agora, se me falar num jogo de transição, um jogo de transição não favorece o Mora em lado nenhum. Agora, se for um jogo de ataque organizado, um jogo suportado, de paciência, em organização ofensiva já instalada no meio-campo ofensivo, claramente que favorece mais o Mora do que um jogo de transição”, vincou Israel Dionísio, apontando o porquê de Mora não se ajeitar no FC Porto.
“A verdade é que o FC Porto pressiona muito bem, alto. Mas depois tem processos muito simples. E pode-se falar que joga muitas das vezes em transição, mas mesmo em ataque organizado o FC Porto tem processos simples. É, dois, três toques e quer atacar a baliza do adversário. Não privilegia o virtuosismo de Rodrigo Mora”, finalizou.






