
João Afonso poderá ser titular no FC Porto”
Petit, que orientou João Afonso, no Santa Clara, vê nele “um miúdo com tranquilidade”, com argumentos para vingar no FC Porto, ainda que avise que vai “cometer os seus erros, como todos cometem”.
ARádio Renascença emitiu, esta sexta-feira, uma extensa entrevista realizada a Petit, na qual o treinador abordou diversos temas, entre eles, a saída de João Afonso, guarda-redes que o ‘seu’ Santa Clara vendeu ao FC Porto, por 1,5 milhões de euros, verba que pode vir a ascender aos dois milhões de euros, mediante o cumprimento de objetivos.
Eu vejo um miúdo com tranquilidade, joga muito bem com os pés, é muito sereno e muito seguro no jogo aéreo, na saída dos postes, dá tranquilidade à equipa… Vai cometer os seus erros, como todos cometem, mas acho que poderá ser um titular do FC Porto, futuramente”, afirmou o antigo internacional português, de forma perentória.
“Além de trabalhar com os dez que estão em campo, que é a minha função, também analisamos muito aquilo que é o percurso dos guarda-redes, para que a equipa possa também sair com bola de trás. Vimos que tínhamos ali um produto com qualidade, que bastava apostar nele que poderíamos acreditar que seria uma solução para o futuro”, prosseguiu.
“Fez um bom jogo com o Nacional [vitória, por 2-0], e a prova de fogo também no jogo com o FC Porto [derrota, por 0-1], onde fez dois grandes jogos e acaba por merecer, porque é um miúdo com qualidade, um açoriano e acho que tem um futuro muito risonho pela frente”, completou.
Petit garante continuidade no Santa Clara
Nesta mesma entrevista, Petit deixou bem claro que pretende manter-se ao leme do Santa Clara, na próxima temporada desportiva de 2026/27: “Está a haver uma grande transformação, de um centro de treinos que já está com dois relvados, um sintético. Falta montar mais algumas coisas, e isso faz parte daquilo que é a nossa ideia, que é fazer uma época tranquila, valorizar ativos, jogar um bom futebol e tentar vender jogadores, para que o clube continue a crescer”.
“Aquilo que temos falado com a administração é que há um ciclo de quatro anos de muitos jogadores que desceram, depois subiram outra vez e ficaram aqui no Santa Clara durante três ou quatro anos. Hoje em dia não é fácil ter um plantel com 70% dos jogadores a ficarem durante estes anos”, refletiu.
“Estamos a tentar mudar um pouco, trazendo sangue novo para a equipa, jogadores jovens e portugueses que possam também chegar à ilha. Vamos fazer um plantel jovem, com alguma experiência noutros jogadores, para um campeonato tranquilo”, rematou.
“Muita gente fala que sou um treinador defensivo, mas…”
Já no plano pessoal, o técnico de 49 anos de idade recordou que, pese embora os “desafios difíceis” que tem assumido, tem sempre conseguido “o objetivo final, que era a manutenção” e “salvar equipas”, pelo que desvaloriza o rótulo que lhe é, muitas vezes, atribuído quanto à preferência sobre o aspeto defensivo do jogo.
“Para salvar equipas também tem que haver qualidade e muita gente fala que sou um treinador defensivo, mas quando estás em último lugar, só há um caminho que é ganhar, senão não sais daquela posição. Há um rótulo que nos meteram e que às vezes tentamos mudar. Acho que já mudei esse rótulo”, atirou.
“Continuo a fazer o meu trabalho, continuo a ter objetivos e desafios difíceis, mas chego ao final da época e consigo concretizá-los, consigo valorizar ativos e isso é que me satisfaz, essa valorização, ter sempre trabalho. Se estiver três ou quatro meses quieto, já me estão a chatear para ir trabalhar”, concluiu, entre risos.






